
Cerca de 20.000 pessoas foram abandonadas no Centro de Congressos de Nova
Orleans, sem recursos e sem esquemas de salvamento antecipado. No mesmo
momento, as unidades da Guarda Nacional equipadas com pistolas
metralhadoras e com armaduras impedem as pessoas de retirar o alimento
necessário de lugares onde ele iria se estragar e chamam a isso “guerra
urbana”. Sob o capitalismo, n?o existem desastres “naturais”; os desastres
horríveis e inevitáveis s?o exacerbados pela actuaç?o criminosa da classe
no poder. S?o exemplo disso: a fome causada na Irlanda pelo escaravelho da
batata no século XIX, e a fome causada na Somália no século XX, em que a
comida era retirada por países como a Gr?-Bretanha e os EUA , em vez de
serem utilizadas para salvar a populaç?o faminta; os desastres mais
recentes do furac?o no Haiti pouco tempo depois do governo dos EUA terem
derrubado o único governo que poderia ter distribuído alguma ajuda ?
populaç?o e substituí-o por uma junta militar; o tsunami de Dezembro
passado, cujas consequ?ncias foram ainda piores pelo domínio desde há anos
que o FMI e o Banco Mundial exerciam na regi?o e resultou em severo
sub-desenvolvimento; e agora a situaç?o na Costa do Golfo.
Como é que a classe no poder contribuiu para este desastre? Tendo pleno
conhecimento de que esta era a estaç?o devastadora das tempestades e
furac?es, escolheram afundar no pântano do Iraque os 79 milh?es de dólares
destinados a reparar o sistema de diques antiquado. Além disso, embora
soubessem de antem?o que o furac?o seria pelo menos de categoria 4, e que
o sistema de diques n?o poderia suportar mais do que um de categoria 3, a
classe no poder n?o investiu quaisquer recursos sérios em evacuar a cidade
de Nova Orleans e cercanias ? medida que a tempestade se aproximava (e os
políticos ricaços t?m a sem-vergonha de acusar as pessoas da classe
trabalhadora de terem ficado despreocupadas na cidade)! Como referimos, a
sua primeira prioridade foi de mobilizar unidades da guarda nacional,
pesadamente armadas, que disparam sobre pessoas que est?o meramente a
tentar obter comida, em vez de trazer a ajuda necessária a cerca de 20.000
pessoas esfomeadas, no Centro de Congressos, que ir?o morrer se nada for
feito (para n?o falar de outras pessoas em situaç?es semelhantes
espalhadas pela cidade). Os políticos continuam a mentir numa tentativa
desesperada de salvar as suas carreiras, tornando cada vez mais claro que
n?o se preocupam com as vidas das pessoas que abandonaram.
Contrastam com aqueles as gentes comuns que, aos milhares, abriram as suas
portas aos sobreviventes num gesto impressionante de solidariedade e de
compaix?o. Apesar do Estado apresentar-se como justificando a sua própria
exist?ncia no seu papel de fornecer auxílio em caso de necessidade,
mostrou de novo como as características do capitalismo interferem com a
sua capacidade de fornecer um auxílio de qualquer natureza. A
impressionante demonstraç?o de ajuda mutua por parte do povo, confirma o
argumento anarquista de que as pessoas podem realmente desenvolver uma
sociedade sem estado, baseada no princípio “de cada um de acordo com as
capacidades, para cada um de acordo com as necessidades”. Esperamos que
esta sociedade se irá tornar uma realidade um dia mas, para já, declaramos
a nossa solidariedade com aqueles que foram abandonados e, com a esperança
de outros se juntem a nós, fazemos as seguintes reivindicaç?es:
· Que o governo disponha imediatamente dos recursos necessários, tais como
transporte e abrigo, em ordem a evacuar as pessoas da cidade e garantir
que tenham instalaç?es apropriadas até que seja possível regressarem aos
seus lares ou instalarem-se noutros.
· Fim imediato aos ataques das unidades da guarda nacional e da polícia
que atacam quem procura comida.
· Distribuiç?o imediata de TODOS os bens necessários (água, comida, roupa,
etc.) durante o processo de evacuaç?o.
· Renúncia/demiss?o imediata e puniç?o de todos os decisores que
negligenciaram a responsabilidade de reparar os diques ou de coordenar a
evacuaç?o da cidade enquanto isso era possível, ou s?o responsáveis pelas
unidades da polícia e guarda nacional atacarem quem “rouba” bens
necessários.
· N?o condenaç?o para quaisquer que foram presos enquanto “roubavam”
comida ou outro bem de primeira necessidade.
· Fim ? oscilaç?o do preço da gasolina que está afectar por todo o país as
pessoas da classe operária, fixando os preços, se necessário.
· Auxílio adequado a todas as pessoas que desejam reconstruir as casas
destruídas em consequ?ncia da neglig?ncia dos políticos capitalistas.
Solidariedade com as vítimas do desastre da Costa do Golfo! Solidariedade
com aqueles que permanecem numa situaç?o precária meses após o desastre do
tsunami! Solidariedade para todos pelo mundo fora que perderam a família
ou permanecem em campos de refugiados devido aos desastres que a classe no
poder amplifica ou com as guerras que fabrica!
The Capital Terminus Collective
(Atlanta, GA)