Mais uma das boas, neste país de meter dó...

Os média querem-nos fazer crer que na origem destes fogos est?o
as insuficientes estruturas de prevenç?o primária ou secundária.
É evidente que estas est?o em défice em muitos pontos críticos do
país. Mas isso é devido a um modelo centralista de "desenvolvimento"
que tem votado ao abandono o interior, e especialmente, o centro e
norte do país. Assim, os terrenos t?m sido invadidos ao longo dos
anos por uma floresta de produç?o, com um único rendimento, a madeira
de baixa qualidade, para as celuloses (eucalipto) ou para carpintaria
(pinho), para alimentar as indústrias "rentáveis", que est?o nas m?os
de uns poucos grandes grupos, sendo também as responsáveis pela maior
poluiç?o atmosférica e sobretudo dos cursos de água, no caso das
celuloses (os rios ficam mortos). Para esta indústria mortífera das
celuloses, é essencial dispor de uma mancha de eucaliptal que consiga
abastecer as suas fábricas directamente, sem ter de negociar com
pequenos proprietários ou com intermediários a compra de madeira.
Assim, quanto mais fogos houver, mais pequenos e médios proprietários
ir?o ver-se forçados a venderem as suas terras queimadas, ao mais
baixo preço. Torna-se assim vantajosa a compra dessas propriedades
pelas empresas de celuloses, que ficam com a garantia de
auto-abastecimento e sem necessidade de recorrer aos gricultores/
silvicultores. Estes – arruinados - apenas lhes resta emigrar
para os centros urbanos, havendo uma série de aldeias e mesmo
vilas que est?o a morrer no centro e centro norte de Portugal,
por causa deste efeito de desertificaç?o económica. Trata-se
portanto de uma guerra económica pelo fogo, uma aut?ntica política
de terra queimada, levada a cabo pelos grandes interesses. É isso
que o governo e a média ao seu serviço escondem, é isso que é
preciso denunciar, pois está na base desta catástrofe recorrente
dos inc?ndios estivais.